10/05/2016

Prédio Gaveto Rua Miguel Bombarda/Rua de Cedofeita



No gaveto da Rua de Cedofeita com a Rua Miguel Bombarda localiza-se um prédio muito interessante que só choca devido ao estado de degradação a que chegou. Pior do que o seu estado devoluto só mesmo o vandalismo que acabou por sacrificar muitos azulejos das fachadas que ainda os contêm, de uma viva tonalidade laranja, que chama muito facilmente a atenção e cativa a curiosidade por quem ali passa.

O prédio dispõe de várias entradas, assinaladas pelos números 139-143-145-149 ocupados por galerias comerciais ainda em plena actividade (e muito mais cuidadas) viradas para a Rua de Cedofeita, enquanto dispõe de um portão e outras entradas viradas para a Rua Miguel Bombarda, da qual se vê as suas traseiras, que acusam uma degradação praticamente generalizada. É curioso como o prédio acusa uma disposição palaciana e conjuga uma influência marcadamente neoclássica – são visíveis frontões circulares sobre as janelas em guilhotina na fachada principal virada para a Rua de Cedofeita, várias cornijas salientes em que na fachada virada para Miguel Bombarda relembram no seu encontro a parte superior de um frontão triangular e as janelas quadradas do último piso lembram mezaninos (entre outros detalhes) – com a arquitectura privada portuense característica da segunda metade do século XIX.

Cientes de que a Rua de Cedofeita foi rasgada no século XVIII por vontade de João de Almada e Melo e, tendo em conta os pormenores construtivos do imóvel, não nos admiraria que as suas origens remontam a esta época (embora seja uma hipótese que certamente levante muitas dúvidas). Ignoramos o nome do seu arquitecto, mas sabemos que a sua configuração actual resulta sobretudo das intervenções de um proprietário abastado chamado João Borges de Almeida, que aqui residiu nos anos 70 do século XIX; é João Borges de Almeida quem requere licença à câmara para construir uma cocheira nas suas traseiras em 1876, quem intervenciona nas suas fachadas no mesmo ano (tendo certamente sido o responsável por mandar revesti-las por painéis de azulejos e colocar o gradeamento nas suas varandas), e que opta por construir um muro de vedação e o portão virado para a Rua Miguel Bombarda (então designada por «Rua do Príncipe») em 1877. A crer que o prédio não tenha sido erguido senão no século XIX e que a sua construção se deva antes à vontade de João Borges de Almeida, o que acabamos de descrever será muito provavelmente um edifício “neo-almadino” e não “almadino”, como algumas das suas características podem levar a crer.

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